Archive | junho 2012

Temp(l)os pós modernos

Aristóteles (384-322 a.C.) já dizia em seus esforços do pensar que “é inato ao ser humano o anseio pelo conhecimento”. Prova disto é que somos seres inclinados desde a infância, à formularmos perguntas e buscarmos respostas, sendo que sua curiosidade baseia-se na procura pelo conhecimento. Quem não se lembra do personagem Zequinha do Castelo Rá-Ti-Bum e seus infinitos “porquês”?

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Ao entrar numa livraria, observei a prateleira que exibia os livros em destaque, indicando com placas amarelas os títulos dos “10 mais vendidos”. Sinceramente, prefiro não comentar sobre os tais…

São nítidas as trevas dos tempos (pós)modernos! Era das Luzes? A escassez da falta de respostas para a questão do sentido da existência está tão à tona, que emergem novos templos, altares e monastérios para os deuses desta cultura. Aliás, cultura esta que se denomina superior. Afinal, temos o progresso não?!

“O que era pecado, superabundou (mais ainda) com ações racionalistas e tecnocientíficas”. Baal passou por uma simbiose: incorporou próteses, modernizou o figurino, fez alguns ajustes e está contente com o crescente resultado de suas ações: os humanos adoram tudo! Saber o porquê adoram aquilo é outra conversa… O importante mesmo é exercer a espiritualidade, partilhar da “mística” – (palavra em evidência em alguns arraiais). Hoje, há deuses de ouro, de prata, de bronze, de barro, mas também de plástico, de silicone ou ainda, simultâneos, virtuais… Todavia, a celebridade da vez, a figura emblemática e talvez a de maior influência na sociedade contemporânea, tem sido o deus Mamom. Pois este mesmo deus, mal consegue acreditar como conseguiu atingir tantos fiéis em nossos dias, fazendo uso de uma antiga e pequena frase, proferida há mais de dois mil anos atrás, enquanto tentava Jesus no deserto:

“Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar”.  Satanás, no Evangelho de Mateus 4:9.

Antes se trabalhava para viver. Agora, se vive para trabalhar. Descobrimos a sensação inesgotável no fetiche que cristaliza o prazer da dinâmica do Ter. Com isso, optou-se por um modo de vida que inclina a natureza às necessidades da humanidade de alguns. Nisto, nos esquecemos daquele que tudo criou e passamos então, a desfrutar individualmente do (meu) próprio mundo. Eis o apagamento do Ser.

Holofotes publicitários exibem modelos de pessoas felizes. Claro, embutidos neste mesmo pacote midiático vão: os padrões de beleza, os eventos turísticos e a forma de convívio sempre acentuando que a vida é curta. Por isso: “viver o hoje é o que há!”.

Frustrações intensivas envenenam a alma… O espírito clama por conhecer a Verdade…

Ah, mas isso não importa! O importante mesmo é extravazar! Até porque, não existe uma única verdade, um único caminho e uma única vida. Isso é coisa do pensamento medieval!

Nos livros de autoajuda e nas pseudo-terapias, são disseminadas afirmações que asseguram aos seus respectivos leitores/pacientes que a culpa é algo que escolhemos carregar. O sofrimento? Só tem aquele que decide ter. A maldade está ligada apenas a questões morais. E o pecado? “Uma ideia retrograda que se superou”. Está intrinsecamente engendrado na cultura judaico-cristã. Portanto, é uma palavra para esquecermos.

A filosofia da moda defende que “tudo é relativo”. Existem vários trajetos para um mesmo percurso. As respostas são pragmáticas: 10 passos para… Como conseguir em… Seja o maior…

Não consigo entender “autoestima” com nenhuma destas recomendações. Sobretudo, nunca concordei com essa palavra! Como alguém pode se bastar? Ser feliz por si só?

Dostoiévski diz que “ninguém se salva sozinho”.

A humanidade caminha na construção de templos pós-modernos, ao passo que cada um(a) das pessoas, parecem querer ser o deus de si mesmo(a)s.

Ouço, vejo, presencio cotidianamente pessoas que se prostram a vários destes deuses. O pluralismo, o deus mercado, os dogmas do academicismo e os mandamentos inquestionáveis do secularismo na rotina das universidades. Agora descobrimos que somos livres! Ora, “vivemos numa democracia e aprendemos na faculdade que estamos livres das tradições”.

Estudantes abandonam sua fé por tão pouco…

Recebem, refletem, aceitam de maneira temporal aquelas verdades do sistema de “oferta de sentidos” – detectados pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Remontam sua individualidade. Agora, com aplicativos ideológicos, moldam seu conceito de “verdade”, a partir daquilo que eu penso/acredito.

Agostinho, logo de cara, inicia o primeiro capítulo do livro “As Confissões”, reconhecendo: “Fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti”.

A repercussão dos deuses que habitam nos templos (pós)modernos reflete o mal estar da identidade dos humanos e suas profundas consequências existenciais, como: complexos, orgulho, medo, insegurança, frustração(…)

Não precisamos de deuses antigos, nem pré ou pós modernos!

Nossa corpo, alma e espírito clama por aquele que era, antes que tudo viesse a ser. Ele foi, é e sempre será! Dele viemos e para ele iremos… Se o seguirmos. Pois, disse Jesus:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai, a não ser por mim”. – João 14:6

Soli Deo Gloria

– postado por Vinnícius

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